Festival de Animação espera 51 mil espectadores ;

A Monstra comemora 18 anos e regressa a Lisboa de 8 a 18 de março
Festival de Animação espera 51 mil espectadores

Filmes em estreia, exposições, workshops, masterclasses, mesas redondas, concertos, realizadores convidados e uma aplicação em realidade aumentada, são algumas das iniciativas que fazem deste Festival de Animação que agora atinge a maioridade, a Monstra, um Festival ambicioso que pretende chegar aos 51 mil espectadores, desmultiplicando-se por vários espaços culturais em toda cidade. O diretor artístico da Monstra, Fernando Galrito, deseja que este Festival seja cada vez mais “humanista e de encontros, de muitos para cada vez mais, marcado pela ideia de que a Arte não é apenas o espelho para refletir o mundo, é, sim, a essência para a sua transformação”.


No ano em que comemora 18 anos, atingindo maioridade, a Monstra, Festival de Animação deA Sonolenta, curta portuguesa Lisboa, já conta “com 20 mil inscrições para a monstrinha e por isso acreditamos ultrapassar os 32 mil espectadores nas salas, ultrapassando os 51 mil no total dos eventos - exposições, workshops, masterclasses, talks, concertos”, de acordo com os dados partilhados pela organização com a Vida Económica.
Na edição de 2017, o número alcançado foi idêntico no que se refer à adesão à programação no geral, contando com 27 mil pessoas nas salas de cinema.
O festival escolhe a 18ª edição para prestar homenagem ao cinema de animação da Estónia, exibindo cerca de 140 filmes deste país, entre filmes históricos, contemporâneos, retrospetivas de realizadores, como Priit Pärn, Priit Tender, Kaspar Jancis, Ülo Pikkov ou Rao Heidmets, longas-metragens e filmes para pais e filhos. “Estes e muitos outros fazem do cinema de animação estónio, pelo seu experimentalismo, pela sua diferença e por uma estética muito singular, um dos mais aclamados, apreciados e premiados de todo o mundo”, de acordo com Fernando Galrito, diretor artístico da Monstra.
A Estónia, que, em 2018, comemora 100 anos de independência do Império Russo, foi o primeiro país europeu a fazer filmes em estereoscopia e, por esse motivo, a Monstra programa uma sessão de curtas estereoscópicas e a longa "Lisa Limone e a Laranja Maroc, uma Rápida História de Amor", de Mait Laas. Uma camara estereoscópica, ou camara estéreo, é um tipo de camara que tem duas ou mais lentes, com um sensor de imagem ou quadro de filme para cada lente, permitindo simular a visão binocular humana, e, portanto, com capacidade de capturar imagens tridimensionais, um processo conhecido como estereoscopia.
A par desta grande retrospetiva, com cerca de 150 filmes, Fernando Galrito destaca ainda as “’fugas para a liberdade’, um programa constituído por grandes obras de arte da História do Cinema de Animação como Belleville Rendez-Vous de Sylvain Chomet, que estará no festival, O Planeta Selvagem de René Laloux e, uma das obras maiores da animação de todos os tempos, O Submarino Amarelo de George Dunning”.
O programa do festival será ainda marcado pela antestreia de Early Man do já quadri oscarizado Nick Park que virá à Monstra para falar sobre o filme e sobre a sua obra.
Momentos altos da Monstra 2018 apontados pelo diretor do Festival serão “a apresentação das estreias mundiais: Os 4 Estados da Matéria, o primeiro filme de Miguel Pires de Matos - grande amigo do festival que iniciou a atividade de realizador na Monstra -; outra estreia de peso é The Origin of Sound (A Origem do Som), filme de um dos mais reconhecidos, talentosos, inovadores, premiados e Oscarizados realizadores de todos os tempos, Paul Driessen; e a estas juntamos Maria and the 7 Dwarfs (Maria e os 7 Anões), uma produção da Nukufilm da Estónia com realização do mestre Riho Unt”.  Todas estas estreias contam com a presença dos autores que farão masterclasses, havendo ainda, uma exposição de imagens, únicas, do filme de Paul Driessen.
Para além destas, outras estreias nacionais e mundiais acontecerão nas diferentes competições. Exemplo disso é The Breadwinner (vencedor do Emille Award) um drama atual, sobre uma menina que se traveste de rapaz para passar a ser o chefe de família enquanto o pai está preso; La Gatta Cenerentolla, um filme italiano onde realidade e fantasia cedem lugar à verdade crua, ou Have a nice day do realizador chinês Jian Liu, a China de hoje, apanhada entre a tradição e um novo começo.Água Mole, Curtas Portuguesas
Estes são alguns exemplos da diversidade da competição Monstra 2018, a par da meia centena de grandes filmes na Competição de Curtas, de mais de 60 na Competição de Estudantes e outros tantos nas Supershorts e na Competição Monstrinha Escolas e Pais e filhos. A Competição Portuguesa, este ano com uma participação recorde, apresenta uma dúzia de obras de grande qualidade, equiparadas às melhores que apresentamos nas competições internacionais, mostrando a vitalidade e qualidade da produção nacional.
Nesta edição, também a não perder, a grande e diversificada retrospetiva de filmes japoneses. Destaque para o realizador Mamoru Hosoda (já premiado na Monstra) e para a estreia em Portugal de Gauche de Cellist do mestre Isao Takahata (apresentado pelo produtor Takashi Namiki) e pelas retrospetivas dos oscarizados Kunio Kato e Koji Yamamura ambos presentes nesta edição da Monstra.
Os mais pequenos merecem também toda a atenção na programação. A Monstrinha, tanto nas sessões escolares como nas sessões Pais e Filhos, apresenta o melhor da animação mundial para miúdos e graúdos.
Na relação que mantemos anualmente com o “antes do ecrã” destaque para as nove exposições a realizar no museu da Marioneta, Fábrica do Braço de Prata, Cinemateca Portuguesa e Cinema São Jorge, com originais de grandes autores e marionetas da Estónia e de filmes portugueses.
A programação “para além do ecrã” tem como tema a realidade aumentada (RA), com mesas redondas, demonstrações e “a Monstra à solta por toda a cidade”, podendo ser encontrada com uma aplicação de RA. Na parceria entre o Hot Club de Lisboa e a Monstra apresentamos dois concertos de improviso sonoro, visual e de movimento, um diálogo entre uma Jazz Band e dois animadores que, ao vivo, vão criar obras sonoras e de animação.
“Não pensámos, nem queremos, este festival (apenas) como um momento de reposição ou apresentação de filmes”, sublinha o diretor, “será sempre um espaço de diálogo, troca, experimentação, rutura, transgressão e subversão, motivador e essencial à criação artística de vanguarda”, reforça. “Um festival humanista e de encontros, de muitos para cada vez mais, marcado pela ideia de que a Arte não é apenas o espelho para refletir o mundo, é, sim, a essência para a sua transformação”, conclui.
 
Dora Troncão, 07/03/2018
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