“Falar local é uma tendência europeia e Portugal tem um papel importante neste mercado de proximidade”;

20 Anos do Clube de Produtores Continente - Ondina Afonso, Presidente do Clube, afirma:
“Falar local é uma tendência europeia e Portugal tem um papel importante neste mercado de proximidade”

O saber-fazer português está bem patente na já tradicional Feira de Queijos, Enchidos e Vinhos do Continente, que agora termina, mas cujos produtos, fabricados em Portugal por produtores regionais e locais estão disponíveis em permanência no hipermercado. Muitos destes produtores, revela Ondina Afonso, Presidente do Clube de Produtores Continente, ao Vida Económica, “começaram por trabalhar em casa” e “foram acompanhados pelos técnicos do Continente ao longo de 20 anos”. O Clube comemora precisamente duas décadas de existência e promove os produtos locais, “uma tendência europeia” em que “Portugal tem um papel importante”, diz Ondina Afonso.

Desde uma Paleta de Porco Preto Fatiado do Gravão, com 18 meses de cura, a uma Copita de Porco Preto, ou um Queijo de São Jorge DOP 24 Meses de Cura, passando pelo Pão de Alfarroba, até ao Tinto do Alentejo Contemporal Selection de Rui Reguinga, as propostas da já tradicional Feira dos Queijos, Enchidos e Vinhos do Continente, produtos em campanha, fazem parte da produção do Clube de Produtores Continente, que comemora 20 anos de existência. A Presidente do Clube, Ondina Afonso, fala de “apoio especial aos produtores nacionais por parte de uma equipa de técnicos do Continente”. No caso da Charcutaria são 60 produtores que fazem parte do Clube, “grande parte começou a sua vida connosco há 20 anos atrás”, “empresas familiares, que começaram com um casal ou duas ou três pessoas e hoje em dia alguns já têm 40 colaboradores”. Ondina Afonso refere que “a primeira iniciativa do Clube foi trabalhar os aspetos de higiene e segurança alimentar e há 20 anos atrás ninguém falava muito em certificações e planos de segurança alimentar”. “Foi um trabalho com dor porque havia famílias que cozinhavam os enchidos nas suas casas, nas suas cozinhas, e tiveram de se profissionalizar, mudar, mas permitiu que, hoje em dia, muitos sejam exportadores, para mercados gourmet, em quantidades pequenas, que é o que nós precisamos porque se fossem grandes volumes, perdia-se o lado genuíno”, explica à Vida Económica.

“Nesta feira anual damos destaque ao regional e ao local, mais do que ao nacional, porque as pessoas estão muito focadas nos percursos curtos de produção, querem saber qual a cara do produtor e se for da região ainda melhor”, revela a Presidente. “Ao longo do ano temos eventos em que damos destaque aos produtores locais, aqueles que vão entregar os produtos à loja como é o caso, por exemplo, da alface, que não passa por entrepostos ou camiões”, reforça.

“É uma tendência europeia falar local e Portugal tem um papel muito importante neste mercado de proximidade porque as nossas empresas têm pequena dimensão, as PME de que falamos são mais “P” do que “M” e precisam de apostas mais locais também de entrega e o Continente nesse aspeto abarca muito a produção local”, refere.

“Este percurso com os produtores tem sido pautado por aquilo que é manter a tradição, mas também a inovar naquilo que é, por exemplo, a embalagem, o olhar para o teor de sal e de gordura, para estarmos muito alinhados com as tendências, e temos um concelho científico que durante o ano reúne com os produtores e investigadores, dizem as tendências que estão a acontecer agora e o resultado dos projetos para tentarmos materializar o resultado destes projetos com  os produtores, a três, a chamada tripla hélice”, explica Ondina Afonso.

Os produtores do Clube exportam já para “Inglaterra, um mercado mais exigente em termos europeus no que concerne a grandes cadeias europeias nossas concorrentes que também têm este processo; Alemanha e França, mas grande parte para Inglaterra para cadeias de hipermercados semelhantes à nossa e com a qualidade que exigimos também”, conclui.

Dora Troncão, 25/02/2018
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